quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Roubo, oração e perdão.


Diante de mais um escândalo de corrupção envolvendo políticos brasileiros, a forma imoral como a coisa pública é tratada, principalmente o dinheiro do povo brasileiro, indigna a todos aqueles que vivem do suor da labuta diária. Cada espetáculo de horror apresenta cenas cada vez mais macabras em seus repertórios. O “mensalão do DEM”, forma como vem sendo chamada a ação da quadrilha brasiliense liderada por José Roberto Arruda, demonstra as contradições existentes em um jogo político aparentemente polarizado entre o governo Lula/PT de um lado e a oposição da direita mais tradicional e mesquinha representada pelo PSDB/DEM.
O Democratas, novo nome para o velho Partido da Frente Liberal (PFL), conta em seus quadros com políticos representantes do que há de mais retrógrado na política nacional. Legenda do finado Antonio Carlos Magalhães, do ex-vice presidente de FHC, o senador Marco Maciel; dos senadores Heráclito Fortes, José Agripino e Demóstenes Torres; do ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, e tantos outros que se destacam na política nacional no combate e criminalização aos movimentos sociais, se colocando como árduos defensores do interesse do grande capital internacional e dos latifundiários nacionais. Demoraram certo tempo para protagonizarem um novo escândalo. Contudo, agora o fazem sob nova roupagem.
Nos últimos anos, diante de escândalos protagonizados por Lula/PT e seus novos aliados, o DEM posava como paladino da ética. A máscara finalmente caiu, apesar de que, para muitos, o fato não causou estranheza. José Roberto Arruda, antes de se tornar governador do Distrito Federal, teve de renunciar ao Senado para não ter seu mandato cassado . Sua ficha de de crimes contra a Adminitração Pública é vasta.
O Democratas, é conhecido por alguns como DEMO. Como é cediço, DEMO é a nomenclatura para se referir, ao Coisa Ruim, Capeta, enfim, ao Diabo. A referência ao Tinhoso não se dá ao acaso. O Democratas tem em seus principais quadros políticos a herança maldita deixada pela ditadura militar, que durante vinte anos prosperou no poder no Brasil com práticas de tortura, corrupção e falta de liberdade, dignas da maldade creditada ao inferno e seu principal representante. Toninho Malvadeza, apelido dado a ACM, não possuía garantia alguma sobre qual lugar habitaria após sua morte, mas isso é passado.
Agora vamos ao ponto central.
Após roubarem dinheiro público em mais uma maracutaia daquelas, deputados distritais do DEM do Distrito Federal se abraçam em uma corrente comovente, fazendo uma "oração" que mais se parece com a confissão de uma série de infrações cometidos pelos mesmos. A confissão de estar consciente da vida torta que estavam levando, creditava em Deus todas as esperanças para que os mesmos fossem absolvidos de uas faltas. As ironias que o destino prega nos seres humanos são coisas que tornam a vida realmente interessante e imprevisível. Como os representantes do DEMO na Terra (no plano político) podem evocar a ajuda divina nestes momentos?
Não desejo entrar na seara das crenças. Estas questões transcendem o plano material e quem sou eu para discutir se Deus existe ou não e para onde vamos. A fé presente em cada indivíduo deve ser respeitada, independente de sua opção. Outrssim, existe um rap, intitulado “Só Deus pode me julgar”, onde o cantor MV Bill expõe uma série de questões relevantes. A música é uma espécie de resposta, onde Bill afirma que,na época, era muito mal julgado pelos setores mais conservadores da sociedade, partindo do princípio que estes mesmos atores sociais que o criticavam eram altamente hipócritas (inclusive a Globo), afirma em alto e bom tom que "só o Todo Poderoso poderia julgá-lo".
De fato o julgamento divino é importante. Quem não quer estar bem na fita com Ele? No entanto, se a lei divina absolverá bandidos, como no caso dos envolvidos no “mensalão do DEM” em Brasília, não podemos fazer muita coisa. Com relação à lei dos Homens, cabe a sociedade e às organizações políticas mobilizarem a população, exigindo a perda dos mandatos e a prisão de todos estes predaores do erário público. Não devemos permitir uma nova pizzada, por mais que ela seja na maior parte das vezes, a primeira opção do Judiciário nos chamados crimes de colarinho branco.
Por fim, já que mencionei o MV Bill e a canção “Só Deus pode me julgar”, cabe uma citação que indica a corrupção como maior dos males do Brasil, quiçá do mundo:
“Quando for roubar dinheiro público
Vê se não esqueça
que na sua conta tem a honra de um homem envergonhado
Ao ter que ver sua família passando fome
Ordem e progresso e perdão
Na terra onde quem rouba muito não tem punição.”

Nossa parte, nós do PSOL faremos.

Bruno Moreira Pinto – Sociólogo e militante do núcleo PSOL Icaraí/Santa Rosa

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