terça-feira, 20 de abril de 2010

A tragédia tem culpado(s)!

Assistimos mais uma vez um caos no Rio de Janeiro. As chuvas no último dia 05/04 acarretaram em mais de 240 mortes no Estado do Rio e o número de desabrigados passa dos 7.000. Nossa cidade de Niterói foi a mais atingida pela enchente, tendo mais de 160 mortos e mais de 3.000 desabrigados.
Diante do caos, o poder público tentou criminalizar a vítima. Lula, Sérgio Cabral e Jorge Roberto saíram em espaços temporais variados aos meios de comunicação acusando as vítimas por morarem em áreas de risco. Com isso, tentaram retirar a culpa pelas mortes e o incrível número de desabrigados dos seus ombros e colocar sobre os de milhares de desabrigados e de mortos. Em Niterói, Jorge Roberto afirmou que o que aconteceu na cidade é comparável aos desastres naturais, como os terremotos do Chile e Haiti!
Tal comparação é inconcebível. Qualquer niteroiense sabe que basta chover 30 minutos de forma intensa que as ruas da cidade ficam alagadas. A Roberto Silveira vira um rio, o centro de Niterói para em meios a lagos e a Alameda fica intransponível. Choveu muito na semana da tragédia, reconhecemos, mas não foi o volume de água de causou a tragédia.
Vivemos num país tropical. Enchentes devem estar programadas, tal como os chilenos se programam para terremotos (algo que periodicamente ocorre naquele país). Se os governantes são incapazes de preparar as cidades para chuvas intensas eles são incompetentes.
Este é o caso de Niterói. Incompetência e descaso da prefeitura. No orçamento deste ano como noticiou o Jornal O Fluminense do domingo (11/04) apenas R$ 50.000 estavam previstos para contenção de encostas. Em contrapartida, R$ 2,2 milhões estavam orçados para o pagamento do Conselho dos Notáveis que tem o papel, segundo seu criador Jorge Roberto, de assessorar a prefeitura em temas relevantes à cidade.
Agora, este Conselho não tem o papel de discutir a melhoria das condições de vida do niteroiense. Ele é formado por ex-vereadores, aliados de construtoras e empresas de ônibus, donos de estabelecimentos de ensino, enfim, frações da burguesia e da camarilha política que há anos governa nossa cidade. A prioridade deles é clara: construção de edifícios, aumento das passagens de ônibus e sucateamento da educação.
Jorge Roberto e o Conselho não se preocupam com a população pobre de Niterói. Caso se preocupassem eles teriam retirado os moradores das áreas de risco nas comunidades do Viradouro, 340, Mackenzie, Maceió, Morro do Bumba, etc. faz tempo. Não é a primeira vez que pessoas morrem e ficam desabrigadas pelas enchentes. Mas, o bem estar da população não é a prioridade destes governantes, mas sim os benefícios à elite de nossa cidade!!!

Bruno Menezes (Professor da rede privada de ensino e membro do núcleo Santa Rosa/Icaraí do Psol.)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Niterói - Uma tragédia anunciada‏

Cidadãos Niteroienses,

Sitiado em minha casa e ainda um pouco anestesiado com a situação de calamidade que se encontra o nosso município, fico indignado a cada declaração pública no rádio e na TV, dos nossos governantes que insistem em dividir a responsabilidade pela tragédia ou ainda, transferir toda a culpa pelas mortes decorrentes das constantes chuvas na região metropolitana do RJ com a própria população.
Frases como "é preciso remover as construções localizadas em área de risco" ou "as pessoas precisam se conscientizar de que a ocupação irregular das encostas é que causam essa tragédia", soam tão cínicas como dizer "EU AVISEI".
A obrigação do poder público, não é construir frases de efeito para tentar esconder a sua incompetência. O poder público tem o dever e a obrigação de zelar pelo seu povo e isso se traduz em políticas públicas SÉRIAS de saúde, educação e habitação.
As mortes que se somam a cada dia não são obras do acaso ou de uma "tempestade atípica", e sim de décadas de descompromisso e de gestões baseadas no "toma lá da cá" onde obras faraónicas e eleitoreiras se antepunham sobre as melhorias nas condições de vida do povo.
Falar em força soberana da natureza ou chuva acima do normal é querer tapar o sol com a peneira.
Se ao invés de superlotar a zona sul com prédios e mais prédios a secretaria de obras e urbanismo se preocupasse em assentar as famílias que moram (e que com certeza continuarão morando) em áreas de risco, a tragédia em Niterói poderia ser menos impactante.
Que Deus nos ajude!

Um abraço!
Vando.